quinta-feira, 11 de junho de 2009

Ford GT40 ...17


Aqui, mais uma parte da história do Ford GT40, pilotado por Sidney Cardoso.
Aqui estão notícias e fotos da Segunda Bateria de Interlagos.

Como de costume, o piloto Sidney Cardoso colocará todas essas fotos dentro do contexto da época, nos brindando com as suas impressões e os fatos desse dia.
Aguardemos.



Jornal "O Globo" 11 de Janeiro, 1971.
Clique nas fotos para ler a matéria.


Revista Auto Esporte, Fevereiro de 1971.




8 comentários:

  1. Voltou! legal!
    A. Borges

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  2. Guilherme e amigos

    Interessante, diminuí o comentário dessa vez, mas na hora de postar o Google está avisando que excedeu o número de caracteres, creio que devem ter alterado o limite. De modo que dividirei em vários comentários, é só ir seguindo a leitura, embora deduzo que os primeiros aparecerão no final.

    CAPÍTULO: SEGUNDA BATERIA PRELIMINAR DA FÓRMULA TRÊS EM INTERLAGOS 10-01-1971

    Guilherme e amigos

    Desculpem-me a demora, isso se deveu a alguns compromissos.

    Com mais experiência no PC consegui escanear melhor a foto da largada da primeira bateria, está aí com cores mais vivas pra quem gosta de copiar e colecionar.

    Após chegar em segundo lugar devido aquela parada com problema do curto no fusível do limpador de pára-brisas, trocamos o fusível, pneus, abastecemos o GT 40 e fomos alinhar pra segunda bateria.

    A ordem da largada nessa bateria foi de acordo com a chegada na primeira, ou seja, Lian Duarte, com Royalle Ford, na posição de honra, eu com GT 40 no meio e Luís Carlos Morais com Porsche 910 completando a primeira fila.

    A foto onde aparecem os três carros em close é de Rogério P. da Luz do site http://www.imagensdaluz.com/index.html

    A outra da largada é do fotógrafo e historiador Paulo Scali.

    Chovia bastante e isso longe de ser ruim pra nós era uma vantagem, visto que o GT 40 é um carro pesado 1.097 kg. A experiência adquirida em pilotar carros leves e pesados mostrou-me que quanto mais pesado é um carro mais tração ele obtém na chuva. (Acho interessante nos dias atuais, quando das transmissões pela TV de corrida de F-1, em dias de chuva, ouço alguns locutores afirmando que fulano está mais lento do que o outro porque está com menos peso. Pra mim peso faz muita diferença no seco).

    Vamos ver se agora vai. Continuo a seguir.

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  3. Na largada dei uma bobeira deixando o motor dar uma afogada, tendo Lian pulado na frente, mas durando pouco, pois Luís Morais logo o ultrapassou.

    O motor logo desafogou e fui passando os que estavam à minha frente, ficando em segundo atrás de Luís Morais com o Porsche 910.

    Lembro-me que a chuva estava intensa e a visibilidade ficava péssima quando me aproximava do Porsche, devido à abundância de spray que saíam de seus largos pneus, acho que de umas 13 polegadas, pra piorar o limpador de pára-brisas do GT 40 que era ótimo parou de novo.

    Houve momentos que a referência maior que tinha de uma aproximação de curva era quando via a luz do freio dele se acender.
    Decidi que o melhor seria não ficar tão perto evitando o spray, pra ver o melhor lugar de ultrapassá-lo, visto que sentia que estava com mais carro, sobretudo pelo Porsche ser mais leve e estar chovendo.

    Percebi que o lugar que me aproximei mais do Porsche com menos spray foi naquela pequena reta que ligava a curva 3 à Ferradura.

    Preparei-me pra ultrapassá-lo ali, saindo da curva 3 à esquerda, por dentro, perdendo na saída dessa curva, mas livrando-me do spray.

    Fiz isso, saí um pouco atrás, fui pela esquerda, colei perto de chegar à ferradura, pus meio carro na frente na entrada dela, virei o volante pra esquerda pra fazer a curva, ouvi um estrondo e o carro seguiu reto.

    Não entendi nada, freei indo deslizando reto até o barranco, chegando a encostar nele com o bico do carro, mas já com pouca velocidade, sem danos.

    Saltei do carro, fui examinando-o pra ver o que tinha acontecido, começando pelo meu lado, ia rodeando-o, quando o bandeirinha daquela curva, percebendo o que estava procurando apontou o dedo para o pneu dianteiro direito, falando: - Foi o pneu direito da frente! Deu um tremendo estouro! Cara tomei um basta susto!

    Fui ver e constatei. Quero deixar registrado meus parabéns a perícia do Luís Carlos Morais de ter conseguido sair dali sem colidirmos. Imaginem: ele por dentro e eu com meio carro à sua frente, surgindo de supetão e seguindo reto entrando em sua trajetória normal, não deve ter sido fácil pra ele.

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  4. Bem, os mecânicos vieram, avistaram o pneu furado, porém não havia mais tempo pra fazer coisa alguma, visto a corrida ser curta, 8 voltas, e ainda teriam que subir o barranco pra pegar outro pneu lá.

    O Paulo borracheiro ficou bem chateado, chegando a chorar, mas não teve culpa nenhuma, foi pura fatalidade, pois ele era excelente em sua profissão.

    Quando chegamos nos boxes o Presidente de Relações Públicas da Ford veio nos prestar sua solidariedade. Em dado momento chamou num canto meu pai, eu, e o Roberto, perguntou-nos se o nosso borracheiro era bom. Falamos que sim e explicamos que o ocorrido foi mera fatalidade.


    Estava pretendendo, se o Guilherme quiser e permitir, após o último capítulo, fazer uma pequena descrição, comparando o automobilismo romântico daquela época com o profissional de hoje. Dentre outras coisas, iria mostrar, por exemplo, nosso acordo com o Paulo borracheiro, visto que já ouvi de pessoas ligadas ao automobilismo que não entendiam como nós tínhamos borracheiro, eletricista e os carros viviam tendo problemas.

    Já que falei no borracheiro, vou adiantar essa parte pra vocês.

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  5. Naquela época raríssimos carros tinham pneus largos. Quando íamos pra um borracheiro pra colocar o pneu traseiro do Karmann-Ghia Porsche, por exemplo, eles ficavam admirados com sua largura e “levavam uma surra” pra colocá-los nas rodas.

    Percebíamos que, embora alguns ficassem vaidosos em executar essa tarefa, a maioria apanhava bastante, alguns cobravam mais e houve outros que nós pedíamos pra parar no meio ao ver que estavam danificando os pneus, sem querer é verdade.

    Numa madrugada de chuva, voltando pra casa, tive um pneu do Puma furado. Troquei-o pelo estepe e o coloquei na mala. Passando por Quintino, bairro do RJ, vi, pela primeira vez, uma borracharia funcionando àquela hora e com uma placa de aberta 24 horas. Isso hoje é pra lá de normal, naquela época essa era a única que oferecia esse serviço, pelo ao menos por nossas bandas.

    Parei ali, o borracheiro Paulo veio me atender com toda boa vontade, e vendo sua habilidade em executar seu trabalho pude constatar que estava diante de excelente profissional.

    Falei-lhe dos pneus largos de corridas, se em outra ocasião poderia trazê-los ali pra ele montar nas rodas e Paulo concordou na hora.

    Assim fizemos e a turma que me acompanhou ficou boba ao vê-lo realizar esse trabalho com aquela rapidez, habilidade e facilidade que costumam ser inerentes aos bons profissionais.

    Propomos a ele trabalhar conosco nas corridas, ele aceitou na hora, ficou felicíssimo, disse-nos que adorava corridas, que iria realizar seu sonho de trabalhar do lado de dentro delas. Disse-nos mais: se nós quiséssemos poderíamos pagar um salário a ele que fecharia sua loja.

    Esclarecemos que não havia corridas todos os dias e fizemos uma proposta que ele aceitou: a dele tirar uma média de quanto faturava num dia e nesses dias de treinos e corridas o pagaríamos com aquela importância e ele colocaria um outro pra substituí-lo a fim de não perder os clientes.


    Bem, assim ficou e ele passou a nos acompanhar nas corridas, foi, inclusive, muito feliz conosco à Brasília, e nunca mais tivemos problemas com pneus. Como disse o caso dessa corrida foi pura fatalidade.

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  6. Naquela época raríssimos carros tinham pneus largos. Quando íamos pra um borracheiro pra colocar o pneu traseiro do Karmann-Ghia Porsche, por exemplo, eles ficavam admirados com sua largura e “levavam uma surra” pra colocá-los nas rodas.

    Percebíamos que, embora alguns ficassem vaidosos em executar essa tarefa, a maioria apanhava bastante, alguns cobravam mais e houve outros que nós pedíamos pra parar no meio ao ver que estavam danificando os pneus, sem querer é verdade.

    Numa madrugada de chuva, voltando pra casa, tive um pneu do Puma furado. Troquei-o pelo estepe e o coloquei na mala. Passando por Quintino, bairro do RJ, vi, pela primeira vez, uma borracharia funcionando àquela hora e com uma placa de aberta 24 horas. Isso hoje é pra lá de normal, naquela época essa era a única que oferecia esse serviço, pelo ao menos por nossas bandas.

    Parei ali, o borracheiro Paulo veio me atender com toda boa vontade, e vendo sua habilidade em executar seu trabalho pude constatar que estava diante de excelente profissional.

    Falei-lhe dos pneus largos de corridas, se em outra ocasião poderia trazê-los ali pra ele montar nas rodas e Paulo concordou na hora.

    Assim fizemos e a turma que me acompanhou ficou boba ao vê-lo realizar esse trabalho com aquela rapidez, habilidade e facilidade que costumam ser inerentes aos bons profissionais.

    Propomos a ele trabalhar conosco nas corridas, ele aceitou na hora, ficou felicíssimo, disse-nos que adorava corridas, que iria realizar seu sonho de trabalhar do lado de dentro delas. Disse-nos mais: se nós quiséssemos poderíamos pagar um salário a ele que fecharia sua loja.

    Esclarecemos que não havia corridas todos os dias e fizemos uma proposta que ele aceitou: a dele tirar uma média de quanto faturava num dia e nesses dias de treinos e corridas o pagaríamos com aquela importância e ele colocaria um outro pra substituí-lo a fim de não perder os clientes.


    Bem, assim ficou e ele passou a nos acompanhar nas corridas, foi, inclusive, muito feliz conosco à Brasília, e nunca mais tivemos problemas com pneus. Como disse o caso dessa corrida foi pura fatalidade.

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  7. Na descrição dessa corrida, tanto no jornal como nas revistas, aparecem comentários desfavoráveis à tocada de Tite Catapani.

    Fiquei meio constrangido em publicar, porém, não poderia prejudicar nosso trabalho por comentários que não foram nossos, portanto não temos qualquer responsabilidade sobre eles.

    Agora, Tite se revelou um bom piloto, portanto, deduzo que, muito provavelmente, sua equipe que estava com três carros, pode, inteligentemente, ter se utilizado da estratégia de usar pneu de pista seca no carro menos veloz da equipe, pois teria assim uma possibilidade de se classificar melhor caso a chuva parasse, visto que todos teriam que parar pra trocar pneus e ele não.

    Próximo capítulo, o penúltimo: a terceira e última corrida das preliminares de Fórmula Três.

    Depois teremos a última corrida: Os 500 km de Interlagos 1971

    E se o Guilherme e vocês acharem interessante, farei, após, por minha ótica, uma descrição comparativa das corridas que ficaram cunhadas de “tempos românticos,” com as atuais, e deixarei algumas sugestões aqui pra debatermos do porquê os autódromos se encontrarem com as arquibancadas vazias nas corridas que não sejam da F-1 e da Stock Car.

    Até lá!

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  8. Sidney,

    Acho que sua participação não pode parar e o considero como colunista do blog. HeHe

    Essas historias paralelas, como a do Paulo borracheiro, são fenomenais e transformam os leitores em integrantes de sua equipe testemunhando cada momento.


    Abraço para ti e para o Guilherme, responsável por este estupendo espaço.

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