terça-feira, 7 de abril de 2009

Ford GT40 ...9


"-Um minuto!".

A chamada para a corrida.













Essas são fotos do treino dos 1.000 km da Guanabara, 1969.






Como sempre, o Sidney fará suas ótimas narrativas sobre esse capítulo.





<-- O Fitti-Fusca.

Mas os adversários do nosso GT40 eram a Alfa P33 (Moco) e Lola T 70 com De Paoli.




"-Cunhado Heitor, Heitor P[1]. Castro, Sidney, Scorzelli e Russinho."






Aqui, foto de carros no pátio do colégio, não propriamente do treino da corrida, mas atentai para o "José Carlos", que está com uma seta apontada para ele. O Sidney contará uma história que o envolve.



3 comentários:

  1. TREINO DO FORD GT 40 EM SUA SEGUNDA CORRIDA: OS 1000 KM da GUANABARA 1969

    Guilherme

    Aconteceram coisas interessantes nesse treino.

    Lembra-se que quando narrei meu primeiro treino com ele havia dito que a quinta marcha veio muito curta, que enchia no meio da reta?

    Pois bem, após aquele treino Scorzelli ligou pra Motor Racing Enterprises falando sobre isso. Eles pediram que enviasse um mapa com as dimensões da pista.

    Assim foi feito e eles ficaram de enviar uma quinta mais longa.

    Nós estávamos ansiosos pra ela chegar logo, estávamos receosos que não desse tempo, porque essa corrida tinha apenas 19 dias de diferença para a primeira. A torcida era grande.

    Sabe quando chegou a quinta marcha? Justamente nesse sábado 13-12-1969.

    Os dois carros da equipe o Lorena e o GT 40 estavam no colégio. Combinamos, então, que a maioria da equipe iria para o autódromo dando assistência ao Lorena e ao José Maria Ferreira,“Giu”, e Heitor Peixoto de Castro Palhares que iriam pilotá-lo e o Antônio mecânico ficaria ali trocando a quinta marcha.

    Fiquei com ele e mais alguns membros da equipe, ficava dando força pra ele aprontar logo e ao mesmo tempo estava doido pra dar uma olhadinha nos treinos, visto que não era apenas piloto, como a maioria de vocês aqui era fã de muitos pilotos e carros que estavam lá treinando desde aquela manhã.

    Comecei a perceber que o Antônio estava demorando muito pra trocar a marcha, estava apanhando um pouco com aquilo. Fui ficando ansioso com a hora.

    Lembrei-me agora daquela história dos relógios suíços. Conhecem?

    Os suíços eram líderes mundiais em tecnologia ligada aos relógios quando eles eram mecânicos, quando os relógios passaram a ser eletrônicos eles tiveram que começar do zero.

    Com o Antônio, ex-Dacon, estava acontecendo o mesmo. Foi o melhor mecânico de bancada que já conheci. Juntava gente pra ver e ficar babando quando ele montava o motor Porsche que já naquela época tinha 2 comandos, 2 distribuidores, duas bobinas,etc.

    Nós ficávamos boquiabertos ao ver tanta maestria, domínio e precisão quando ele usava o transferidor para colocar os comandos no ponto. Agora, com equipamento diferente, estava na mesma situação dos suíços, precisando de mais um tempo para poder conhecer e dominar essa tecnologia nova.

    Lembrava-lhe das horas e percebia que a pressão o deixava mais tenso, senti que o melhor era deixá-lo trabalhar em paz.

    Em certo momento não resisti à tentação e fui ao autódromo dar uma olhadinha nos treinos.

    Estava ótimo, mas as horas se passavam e voltei pra lhe dar apoio.

    Em certo momento Antônio viu que havia esquecido uma chave lá em casa. Albino José da Silva, “Neném”, auxiliar de mecânico de nossa equipe que ficara conosco, se prontificou a ir pegá-la com nosso Puma.

    José Carlos, primo meu em terceiro grau, que morava no colégio com minha avó, esse assinalado com seta, não podia ver um carro que queria logo pegar carona e foi com ele.

    Estávamos aguardando a chegada deles quando aparece Marivaldo Fernandes acompanhado de sua esposa em sua Alfa GTA de passeio e José Maria Ferreira, “Giu”.

    Marivaldo não agüentando a curiosidade de ver o GT 40 pediu ao “Giu” que o levasse ao colégio.

    Estávamos batendo papo e preocupados com o horário, quando, Paulo Bracchi, que estava no autódromo e tinha ido em casa almoçar, liga pra lá e nos avisa que “Neném, na pressa, havia batido com nosso Puma defronte sua casa, que a batida era séria, que o José Carlos tinha ido para o hospital e “Neném” pegara um táxi e estava indo para o colégio com a ferramenta.

    Nós: - Poxa, mais essa!

    Marivaldo na mesma hora se prontificou a levar-nos até lá. Ele foi dirigindo sua esposa ao lado, e “Giu” e eu no banco de trás. Foi pau puro até lá.

    Chegamos, o carro estava danificado na porta do carona, onde estava José Carlos. Felizmente o proprietário do outro carro nada sofrera e estava nos aguardando.

    Contei-lhe sobre a situação, passei meu telefone e endereço, dizendo que cobriria seu prejuízo. Pedi ao “Russinho” que providenciasse um reboque para levar o Puma pra nossa casa, ali pertinho, e fomos com Marivaldo para o hospital.

    Pau de novo, o pior é que Marivaldo não conhecia o caminho e tínhamos que avisá-lo com antecedência pra que lado iria dobrar, às vezes, devido a proximidade de ruas e a alta velocidade, quase que virava pro lado errado, enfim chegamos lá. José Carlos havia fraturado a perna.

    Tomamos as providências e voltamos para o colégio. Antônio ainda estava montando a caixa de marchas.

    Preocupados com a hora resolvemos ir na frente para o autódromo, explicar a situação ao Mauro Forjaz que era o Diretor da Prova, e solicitar um pouco de complacência. Marivaldo mais uma vez nos deu carona até lá.

    Chegamos, subi à torre, falei com ele. (Espera aí), acho que já contei isso no www.obvio.ind.br, vou lá copiar e colar aqui, porque no momento também estou meio atrasado contigo.

    É, tá tudo lá, copiarei aqui e farei pequenas correções com as informações que obtive depois, como por exemplo que havia me referido ao Mauro forjaz como saudoso e soube pelo Paulo Scali que para alegria minha e de seus admiradores que ele está vivo.

    Sobre os tempos desse treino também, havia confundido com o das III Horas de Velocidade do Rio, agora com a colaboração de Ricardo Cunha, passarei os tempos publicados nas revistas Auto Esporte número 63, janeiro de 1970 e da Quatro Rodas número 114, também janeiro de 1970, que cobriram esse treino e corrida.

    Farei outras pequenas modificações porque quando escrevi aquele texto para o site do Óbvio foi através de e-mail em um contexto diferente, devido eles terem publicado equivocadamente que o Fitti-Fusca havia feito o segundo tempo e o GT 40 o terceiro. Por sinal, foi assim que conheci o Ricardo Machado.

    Já solicitei diversas vezes ao Ricardo Machado, responsável pelas publicações no site, pra tirar aquele texto e deixar somente os tempos certos, mas ele por falta de tempo ainda não fez.

    Para facilitar colocarei parênteses nas correções importantes.

    Percebendo que poderia atrasar um pouco fui na frente, conversei com o Mauro Forjaz, que estreava como Diretor de Prova, quando ele me perguntou: - Cadê o carro?. Respondi: - Tá quase pronto. A turma estará chegando logo aí. Houve alguns imprevistos, por isso vim na frente para pedir um pouco de tolerância com o horário.

    Ele me falou: - Sidney, você sabe que tenho a maior admiração por você como piloto, mas como estou estreando como Diretor de Prova, se o carro não chegar até o horário marcado, não tenho como permitir que você tire seu tempo.

    Lembro-me que ele colocou sua mão em meu ombro e, visivelmente emocionado, continuou:- Será com tristeza, mas não posso estrear como Diretor de Provas dando mal exemplo.

    Estávamos em cima da torre de cronometragem. Ele acabou de fazer este pronunciamento e avistamos o carro chegando em cima da carreta.

    Corri, imediatamente, apressei os ajudantes a descerem o carro. Assim que ficou pronto, passou um minuto da hora prevista para encerrar a tomada dos tempos de classificação, embora o dia ainda estivesse bem claro.

    Quando ia me dirigir ao amigo Mauro Forjaz, encontravam-se lá dois pilotos que, com seus tempos obtidos, ficariam alinhados na última fila e eles solicitaram que o Mauro Forjaz não me deixasse tirar tempo.

    Falei: - Mauro, mas por causa de um minuto?

    Ele já ia concordando comigo, falou, inclusive, que meu carro tinha sido anunciado a semana toda pela imprensa como uma das maiores atrações daquela corrida e que sua ausência iria decepcionar muitos torcedores. Porém os dois pilotos fizeram de tudo para convencê-lo a não permitir, porque eles ficariam de fora da corrida, porquanto só poderiam correr (31) carros.

    Propus ao Mauro: - E se eu fizer um abaixo-assinado e a maioria dos pilotos assinarem? Ele respondeu: - Se dois terços assinarem, tudo bem!

    Desci, lembro-me que (por sugestão de nosso supervisor de equipe Roberto Antonio Dias Machado, fui direto no Emerson que voltara há pouco da Inglaterra, Wilsinho e “Moco”.

    Roberto sabendo de nossa amizade e do peso deles como pilotos, calculou que eles assinando os outros fariam o mesmo e assim foi), e, numa correria louca e solidária, todos pilotos vieram em minha direção, à exceção daqueles dois, e assinaram.Aí Mauro Forjaz autorizou.

    Irritadíssimo com a polêmica causada, entrei no carro muito P da vida, sem ter tido tempo de experimentar a quinta longa e lembro-me que, com raiva e querendo mesmo demonstrar isso, passava as marchas levantando a mão, como motorista de ônibus quando está chateado.


    (Sobre os tempos há divergência nos apurados na revista Auto Esporte janeiro de 1970 e Quatro Rodas do mesmo mês e ano, deixo os dois abaixo):
    Auto Esporte:
    José Carlos Pace: 1m 30.2s,
    Sidney Cardoso: 1. 31.0s
    Emerson Fittipaldi: 1.36.3s.
    Quatro Rodas:
    José Carlos Pace: 1m 30s 9/10
    Sidney Cardoso: 1m 31s
    Emerson Fittipaldi: 1m 36s 3/10

    Largaria, portanto, na primeira fila, entre o “Moco” e Emerson.
    Quando parecia que estava tudo certo, alguns pilotos que antes deu tirar tempo estavam nas primeiras filas, vieram reclamar, alegando que eu não teria direito ao prêmio de largada, por ter feito o tempo após o horário oficial.

    Não fiz a menor objeção. Disse que não haveria nenhum problema. Eles não satisfeitos, disseram que eu teria que largar em último lugar. Novamente, não obstaculei, disse que queria apenas correr.

    Aí, surgiu o terceiro problema, como só poderiam correr (31) carros, o que estava em último, devido à falhas em seu motor, que seria pilotado por Alex Dias Ribeiro, ficaria de fora.

    Devo dizer que minha amizade com o Alex era e é muito grande, já vinha desde o ano anterior a esta corrida, quando ele veio de Brasília correr no Rio e eu ajudei-o dando alguns macetes do traçado. Lembro-me, que Alex, neste ano anterior, com um fusca, só conseguira fazer o tempo de 2minutos e 2 segundos.

    Percebi que ele estava fazendo um traçado errado, o que é normal, pois era a primeira vez que treinava nesta pista. Como sempre gostei de ajudar e conhecia bem este autódromo, perguntei se ele não queria que eu desse uma volta com ele, mostrando alguns macetes.

    Ele concordou, sentou-se do meu lado em seu fusca e assimilou muito bem.
    Resultado, o tempo dele baixou para 1 minuto e 58 segundos. Ele ficou muito agradecido e me pediu se poderia deixar seu fusca e os equipamentos guardados no nosso colégio, pois estava na casa de uns amigos, no bairro do Valqueire, onde havia pouco espaço.

    Concordei e assim foi. Lembro-me que até arranjei gasolina verde para ele. Ficamos muito amigos.

    Acontece que com aquela situação onde ele seria um dos que teriam de ficar de fora, houve a maior confusão entre os membros da equipe dele e a nossa. E nós dois acalmando-os.

    No final do treino (dois carros quebraram o #50 de Milton Amaral e o # 47 de Sílvio Toledo Pizza e tudo ficou tudo certo).

    No próximo capítulo falaremos sobre a corrida dos 1000 KM da Guanabara 1969.

    Ah! Me esqueci de falar sobre quem deu a idéia de colocarmos os reservatórios de gasolina num plano alto e abastecermos os carros com mangueiras em vez de barris. Agora fica para o próximo capítulo.
    Até lá.

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  2. Gostaria de deixar registrado alguns créditos:

    A foto acima do Fitti-Fusca foi melhorada há alguns anos atrás por Sérgio Eduardo Enoch.

    A bela restauração do slide do Fitti-Fusca foi feita por Paulo Sallorenzo.

    Esse trabalho do Paulo é maravilhoso, no próximo capítulo aparecerão muitas slides restaurados por ele.

    Deixo aqui seu site e diretrizes pra quem desejar fazer contato com ele porque, creio, como aconteceu comigo, deve haver outras pessoas com slides ou fotos de valor pessoal que estejam corroídos com o tempo e julgam que não tem mais jeito. Mas o Paulo está nos mostrando que tem jeito sim.

    Site: www.sallorenzo.com.br

    Telefones (21) 2275-3915 e 3507-3915.

    A foto do Fitti-Fusca, slide, foi feita pelo fotógrafo Waldir Braga, "Estrela", no tablado ao alto de nosso box. Alí onde estão o cunhado do Heitor, eu, Scorzelli e Russinho sentados.

    Atrás de nós, de camisa branca aparece José Eduardo que havia feito o campeonato de estreantes e adquirido nosso Karmann-Ghia de fibra, o #20 com motor de VW 1600 e depois vendeu para o piloto Nelson Balestieri.

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  3. Sidney, assim que eu bati os olhos na foto do Fitti-Fusca, já pensei, "isso é obra do Sallorenzo!" Fica aqui também, mais uma vez os meus obrigado e parabéns.

    -Quanto à essa narração, só tenho também a elogiar-te. É fantástica essa compilação com tantas impressões "in loco", como se tudo isso tivesse acontecido nessa tarde.
    -Fico contente com colaboração que estou podendo dar para a história do automóvel no nosso País (hoje estou sem modéstia alguma).
    -Acho que quando terminarmos essa série, certamente teremos um livro, hein?
    -Só quero fazer um apelo para que os leitores se manifestassem, eu sei que vocês estão aí, podem participar, por favor!

    Satisfação,
    grande abraço.

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