quinta-feira, 26 de março de 2009

Ford GT40 ...3


Aqui, a segunda parte das fotos da chegada do Ford GT40 ao Brasil, pelo porto do Rio.


As fotos são um show.

Como de se esperar, era uma atração.






Scorzelli (à esquerda) e Sidney Cardoso (à direita) com o inglês recém chegado.

5 comentários:

  1. Amigos
    Já fiz a descrição desse dia nos comentários anterior a esse.

    Deixa dar uma ajuda na identificação das pessoas que citei lá pra vocês identificarem nas fotos.

    Foto1:

    À direita de camiseta branca, Scorzelli e Paulo Bracchi de camisa azul segurando a tampa do capô traseiro.

    À esquerda: Ernayde de jaqueta, Luciano camisa vermelha e José Leitão mais atrás de camisa cinza.

    Alguns irão estranhar eu ter escrito que era um dia de sol e uns estão com jaquetas, foi que saímos de casa lá pelas 5 horas da manhã.

    Foto 2:
    À direita Ernayde, atrás dele Scorzelli e mais atrás de camisa vermelha Sidney.

    À esquerda Luciano, camisa vermelha, Paulo Bracchi logo atrás de camisa azul.

    Foto 3: A maioria está encoberta.

    Foto 4:
    Dizeres à esquerda está legível.

    À direita: Colégio Arte e Instrução
    Team
    Avenida Ernani Cardoso
    225/237
    Cascadura
    Rio de Janeiro


    Foto 5:
    À esquerda Carlos Alberto Scorzelli, mais atrás Paulo Bracchi.

    À direita Sidney, Ernayde Cardoso e Luciano Palmerini, mais atrás.

    ResponderExcluir
  2. PRIMEIRO TREINO:
    Após o flerte no porto e total aprovação de minha parte, finalmente chegou o dia de experimentá-lo pra valer na prática.

    Iria realizar vários sonhos: de meu irmão, meu e dos amigos que da mesma forma estavam ansiosos pra ver como o bichinho iria andar.

    Lembro-me que o supervisor de nossa equipe Roberto Antonio Dias Machado, havia se lembrado dias antes que a revista Auto Esporte daquela época e pertencente a outro grupo que cobria muito maravilhosamente todas as corridas, bem diferente da atual que praticamente faz releases e não publica uma só linha das corridas da GT3 onde no ano passado, só pra vocês terem uma idéia, correram os carros mais modernos, possantes e mais sonhados do mundo, se não me falha a memória, somente na corrida do Rio estavam não 1 GT 40 como era nosso caso, mas 3 GTs 40, umas 4 Ferraris, 2 Lamborghinis Gallardo, 2 Dodges Vipers e 2 Porches sendo um pilotado por Emerson Fittipaldi e outro por Wilson Fiitipaldi, só pra ficar nesses e a maioria da imprensa escrita, falada e televisionada não diz nada? Como uma revista com esse nome não dá ampla cobertura?
    E ainda tem gente se perguntando por que as arquibancadas ficam vazias nas corridas que não sejam da Fórmula I e da Stock Car que recebe tratamento totalmente diferente das outras categorias.

    Desculpem-me, me alonguei um pouco, mas o óbvio é tão óbvio que só não o percebe as mentes despreparadas.

    Continuando, Roberto nos propôs em reconhecimento aquele bom trabalho dessa revista, que déssemos esse furo pra ela. Sugestão aceita e fechado o acordo.

    Naquela época Jacarepaguá ainda era um bairro onde muita gente se conhecia e alguns ficaram sabendo que dentro de alguns dias o GT 40 iria à pista, de modo que a turma estava de antena ligada.

    Lembro-me que na ida para o autódromo com a Kombi puxando a carreta com o GT 40 em cima a rapaziada via e mudava o roteiro na hora, dirigindo-se pra lá também.

    Chegamos e foi usado todo o procedimento recomendado pela Motor Racing Enterprises pra esse carro, são tantas que ficaria longo especificá-las.

    Lembro-me que tivemos uma surpresa com ele em relação ao ronco, porque, apesar de possuir um motor V8, o tipo de descarga era diferente dos atuais, de modo que o ronco não impressionava.

    Dentro da cabine, então, que tinha estrutura de metal o som vinha baixo e assoviado.

    Nós que estávamos acostumados com a barulheira toda dos Karmann-Ghias Porsche e do Lorena, devido terem fibras finas, ficamos admirados com tamanha sofisticação, parecia um carro de passeio.

    Ah, e também possuía dois lugares. Com isso foi uma disputa danada, pois muita gente queria ser a primeira a dar a primeira volta ao lado. Por razões desconhecidas a vencedora da disputa foi minha noiva,rs,rs,rs.

    Se repararem com atenção no vídeo perceberão uma pessoa ao lado nas primeiras voltas. Link para o vídeo em Windows Media Player: http://www.obvio.ind.br/Novo_Site/anisio/Ford%20GT40%20treino.wmv

    Nesse a imagem é um pouco melhor, porém custa mais pra abrir pra quem tem internet com velocidade baixa.


    Link em Flash Player: http://www.youtube.com/watch?v=NFWDAKcY8cY

    Abre mais rápido, perde um pouco a qualidade da imagem.

    Interessante, apesar dele possuir o volante do lado direito, como a alavanca de marchas fica também à direita, senti pouca diferença de pilotar outro tipo de carro.

    Feitas as cortesias, fui testá-lo pra valer com certo cuidado nas primeiras voltas procurando suas manhas.

    Senti muito prazer nas respostas do motor de 400 cavalos ao acelerar, e ele veio afinadinho.

    O que Scorzelli havia falado de jogar a cabeça pra trás nas passagens de marchas era verdade, porém, com toda sinceridade, havia diferença para o Lorena, mas não era muita, visto que esse nosso GT 40 não era dos mais brabos, quem entende de GT 40 como o falecido Veloz HP e o felizmente vivo e saudável “Vitão” que tem livros sobre esses carros, sabe que houve outros com mais potência, esse nosso possuía 4736 cc, tinha 400 cavalos, mas pesava 1.097 kilos e o Lorena 200 cavalos e uns 800 kilos.

    Com toda sinceridade, o Scorzelli com o tempo foi pegando a mão e mostrou-se realmente um piloto veloz, agora, de início, foi uma tremenda mudança pra ele, como é para falar da realidade, suponho que por ele até então só ter corrido de Gordini ou 1093, a mudança foi forte.

    Essa diferença, com toda humildade, mas não posso faltar aqui à verdade dos fatos, não foi muito sentida por mim devido ter começado com uma Alfa Giulia TI 1.600cc, preparada pela Auto Delta com comandos brabíssimos, depois ter guiado o Karmann-Ghia Porsche 2.000 e o Lorena Porsche. De modo que havia diferença, mas não toda aquela que ele sentira, é o caso do “O mapa não é o território”.

    Continuando, o namoro com o carro estava gostoso, pra mim até hoje inesquecível. Duas coisas apenas não deixaram que fosse totalmente delicioso, sendo que uma de fácil solução: ele veio com uma quinta marcha muito curta, ela enchia logo no meio das arquibancadas e tinha que levantar o pé pra não passar de giros e fundir o motor.

    Como a maioria que freqüenta aqui sabe, seria só encomendar uma quinta mais longa.

    A segunda coisa foi que pela primeira vez pilotava um carro com um comportamento diferente de todos anteriores, esse não me permitia que se jogasse sua traseira pra ver até onde ia sua estabilidade.

    Quando comecei a apertá-lo mais pra sentir seu limite, sentia que quando ele tombava pra um lado, por exemplo, pra direita na curva pra esquerda do S, antes que pudesse corrigir, o volante girava com bastante violência para o lado de dentro da curva, quando pra corrigir seria o contrário, eu precisava virar pro lado da derrapagem.

    Ainda nesse primeiro dia, tentando pegar o volante pra jogar para o lado de fora da curva, machuquei um dedo batendo numa daquelas hastes do volante. Interessante que esse mesmo fato, machucar o dedo no volante tentando corrigir, aconteceu com todos que guiaram ele aqui, Scorzelli, Heitor Peixoto de Castro e José Maria Ferreira, “Giu”.

    Após algumas voltas e sentir o comportamento do carro narrei para o mecânico Antônio, ex-Dacon.

    Da mesma forma ele achou que sobre a quinta marcha seria fácil, quanto ao comportamento do volante girar pra dentro das curvas, ainda não tinha idéia do que podia ocasionar isso.

    Lembro-me também que após encerrar o treino havia feito o tempo de 1m, 33 s e alguns quebrados de décimos e Mauro Forjaz, editor-chefe da revista Auto Esporte, veio saber comigo sobre o que achara do carro.

    Detalhei os vários pontos fortes e esses dois fracos.

    Ele me disse: - Sidney, calculo que com mais treinos, até a corrida que está pra vir você consiga abaixar uns 3 segundos, não acha?

    Respondi-lhe:- Não acho não, Forjaz. Deu pra sentir que nas últimas voltas estava perto do limite do carro – claro nessa condição - e como faltam uns (não me lembro agora a quantidade de dias, acho que uns 10, mais ou menos) não dará pra chegar a quinta marcha mais longa, portanto, penso que só dará pra abaixar décimos, 1 segundo no máximo.

    É uma situação bem desconfortável ter que falar de si mesmo, sobretudo de público, que situação fiquei agora. Guilherme, não vou querer mais colaborar com esse tipo de análise não, foi a última, mas já que começamos não acho certo parar no meio com omissão, quem me conhece de perto sabe que uma de minhas características, talvez por ser do signo de virgem, onde dizem que a principal delas é a assimilação rápida das coisas, foi de pegar facilmente padrões. Podem perguntar aos mais chegados e a todos os mecânicos que trabalharam comigo.

    Devido essa característica percebo também quando o limite está em mim e não no carro.
    Por exemplo, quando fui tocar o Alfazoni pela primeira vez, ali, sim, senti uma enorme diferença de todos que havia guiado antes, porque foi o primeiro que peguei com diferencial autoblocante.

    Sentia nitidamente e falava tranquilamente que faltava mais treino pra me acostumar com aquela característica que, pra mim, fazia uma grande diferença.

    Bem, enquanto não chegou a quinta mais longa, o máximo que consegui abaixar foi mesmo um segundo.

    Guilherme
    Estou com poucas fotos desse treino, só achei um slide dele, é fácil identificar porque ainda não estava com os números pintados.

    Dessa vez o “Estrela” filmou mais que fotografou, de modo que vou te enviar umas outras de treino da próxima corrida onde aparece o carro na curva Entrada do Miolo na situação que descrevi em que a traseira direita está tombada.

    Olha, como vai ter corrida de FI nesse fim de semana, que tal deixar a continuação para segunda-feira?
    Assim você me daria um refresco em escanear fotos e escrever e poderia assisti-la com tranqüilidade.
    Abraços,

    ResponderExcluir
  3. É uma ótima surpresa saber que existe um piloto histórico que preserva sua alma jovial e a compartilha por este meio de comunicação democrático que é a internet.

    Venho aqui comunicar que estou aproveitando a mini-série do Guilherme e os seus deliciosos comentários, com os devidos créditos, para divulgar a historia do automobilismo carioca aos adolescentes e jovens do Rio de Janeiro cadastrados em nosso fórum automobilístico que tem o mesmo nome da nossa equipe de amigos que são apaixonados por automóvel e tudo que cerca este universo: DNS TEAM (www.dnsteam.com.br/forum).

    Estejam à vontade de se cadastrarem e de participar de nosso fórum. Será uma honra.

    Forte Abraço,

    DNS 19

    ResponderExcluir
  4. Deliciosos comentários do Sidney. HeHe

    ResponderExcluir
  5. Sidney, seus relatos são muito bons, com base na realidade dos anos 60 mostrando aquilo que realmente vc fazia....

    Abs e diariamente a gente espera ansiosamente pelo post.

    Abs Francisco

    ResponderExcluir