quinta-feira, 26 de março de 2009

Ford GT40 ...2


Essa foto ao lado, mais a terceira abaixo, foram gentilmente restauradas pelo fotógrafo profissional Paulo Sallorenzo http://www.sallorenzo.com.br/ .

Após a compra do GT40 na Inglaterra, mostrada no post abaixo e já comentada pelo próprio Sidney Cardoso, segue aqui lote de fotos da chegada dele, no porto do Rio de Janeiro.
Estão aqui fotos enviadas pelo Sidney, de seu arquivo pessoal.

-É um fantástico registro histórico. Sem dúvida alguma, preenche uma larga lacuna na história do automobilismo nacional, e porque não, do antigomobilismo também.
Isso nos coloca em posição privilegiada na história do nosso País, pois, quem quiser passar pela história do automobilismo nacional ou do GT40 mundial, terá de passar por aqui.


Com a mão levantada, Paulo Bracchi "Russinho". De vermelho, o mecânico Luciano.






Existem mais outras fotos desse momento, que irão ao ar em pouco tempo e na sequência.






9 comentários:

  1. Coisa maravilhosa, eu fico babando com esta história.

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  2. Não deixem de ver o vídeo do desembarque!
    http://www.obvio.ind.br/Novo_Site/anisio/modelAnisio.asp

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  3. Guilherme
    Esse dia da chegada do Ford GT 40 foi aguardado com aquela ansiedade positiva por parte de todos nós. Sabíamos que ele estava vindo e ficávamos contando os dias que faltavam pra ele chegar. Lembro-me que, pra nós, a sensação era que os dias estavam mais longos.

    Ele chegou num dia lindo, havia bastante sol, em novembro de 1969, num sábado ou domingo.

    Recordo que por sairmos cedo e ser um dia útil o trânsito estava livre, uma maravilha.

    Acordamos bem cedo e fomos lá para o porto aguardá-lo. Na Kombi de nossa equipe estavam o Joaquim, motorista da equipe, Roberto Antonio Dias Machado, supervisor dela, já falecido, Paulo Bracchi, o “Russinho”, que era vizinho nosso, apaixonado por automobilismo até hoje, quando garoto passava por nossa casa parava e ficava da calçada olhando os carros, convidamos para entrar e a partir dali criou uma grande amizade com todos, sendo uma espécie de faz tudo na equipe, tenho a felicidade de desfrutar de sua companhia desde aquela época até os dias de hoje e sempre vamos juntos ao autódromo.

    Como o tempo voa, aquele menino hoje está com 53 anos e é dentista. Ainda na Kombi estavam o amigo e fotógrafo Waldir Braga, “Estrela”, já falecido, Paulo, “Bigode”, também amigo aficionado por automobilismo que se integrou à nossa equipe, me esqueci de seu sobrenome, é bem complicado de origem russa, então cito o apelido que a turma botou nele, eu também estava com a turma da Kombi.

    Foram mais dois carros José Leitão, amigo e entusiasta do automobilismo, faleceu ano passado, foi com Luciano Palmerini, amigo e ex-mecânico meu em umas três corridas das sete que fiz com a Alfa Giulia, já falecido, foi em seu Standard Vanguard que ele adorava.

    Em outro carro foram meu pai Ernayde Cardoso, já falecido, e o piloto Carlos Alberto Scorzelli, falecido.
    Caramba, quando se fica velho como se perde amigos... Quando era novo ouvia os mais velhos falarem disso, agora estou constatando.

    Bem, esse dia é daqueles marcantes que a gente se lembra de tudo.

    Estávamos loucos pra subir no navio e ver logo o carro de perto, mas não era permitido, meu pai e Scorzelli conseguiram.

    Engraçado é que embora o navio fosse o cargueiro Argentina Star Blue, ele estava vindo da Inglaterra e sua tripulação era de ingleses, em sua maioria louros, com isso, como você pode ver no filme da chegada desse carro, http://www.youtube.com/watch?v=Y9tUcmUqU9s
    quando meu pai e Scorzelli estavam subindo a escada, “Russinho” deu uma de penetra e não foi barrado. Rimos muito, porque devido sua aparência os ingleses pensaram que era mais um deles.

    Bem, “Estrela” tirou as fotos e eu estava dando os primeiros passos com uma câmera Super 8 mm, filmando. Nem precisava falar que estava dando os primeiros passos na filmagem, dá pra notar que perdi o foco várias vezes.

    Lembro-me que após os três terem subido e visto o carro, de molecagem, fizeram lá de cima um sinal de negativo com os dedos cá pra baixo como se o GT 40 não tivesse vindo.

    Caramba!!! De início meio que acreditamos, mas eles vendo nossas fisionomias mudarem não sustentaram aquela brincadeira por mais de uns poucos segundos.

    O resto está documentado nas fotos e filme. Lembro-me que ele veio com uma espécie de graxa e estopa em cima pra proteger da maresia, dentro dele vieram uns pacotes contendo instruções de uso, algumas peças sobressalentes e pneus.

    Depois o GT 40 ficou guardado por uns dias, num daqueles armazéns do cais, mais tempo do que era previsto.

    Interessante é que havia um fiscal com um rigor em tudo totalmente fora do comum. Esse fiscal não só foi acompanhá-lo no primeiro treino como na primeira corrida.

    No próximo capítulo, primeiro treino, e no outro seguinte – primeira corrida – deixarei o link dos filmes e mostrarei ele a vocês, pois ele aparece nos dois.

    Isso se deveu a uma denúncia boba de um cartola da CBA naquela época que era ligado a uma outra equipe, quando ele soube que estávamos importando esse GT 40 ficou inconformado com isso, travando uma longa batalha contra nós em que uma das muitas acusações infundadas que fez era de que esse carro não estaria vindo pra correr, mas sim para ser vendido para andar na rua.

    Bem, mas isso são coisas do passado, felizmente sempre fui um otimista de bem com a vida, focado no que tem, em vez de ficar focado no que falta, aliás, vocês podem constatar isso nesses dois filmes que a Eliana Ovalle postou há uns dias no youtube:
    link 1: http://www.youtube.com/watch?v=XPCr6_oj4xE

    Link 2 : http://www.youtube.com/watch?v=YpKMtC9uRFQ

    de modo que prefiro guardar as lembranças boas, só estou citando isso aqui porque foi uma das coisas que marcaram na chegada do carro, porque fez parte da história dele, e, posteriormente, quando chegar o filme de sua primeira corrida, vocês estranharão a pequena quantidade de concorrentes. Percebam que o mesmo não acontece nos filmes em que estou correndo com o Lorena e o Karmann-Ghia, isso deveu-se a correr um abaixo-assinado no dia da corrida, incentivado por essa pessoa, para os pilotos não correrem. E, com toda sinceridade do mundo, gostaria que quem souber e tiver amizade por mim que, por favor, não cite, já o perdoei, prefiro falar de paz, saúde, coisas alegres e como foi meu primeiro contato com o GT 40 na pista.
    Até lá.

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  4. ERRATA: Onde está escrito:"Recordo que por sairmos cedo e ser um dia útil o trânsito estava livre, uma maravilha".

    Relendo, vi que faltou a palavra não antes de um dia útil. Fica, portanto: Recordo que por sairmos cedo e não ser um dia útil o trânsito estava livre, uma maravilha.

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  5. Oi, Carros Antigos

    Obrigado por ter lembrado do link do Óbvio, rapaz, havia me esquecido que estava lá em Windows Media Player com imagem melhor. Valeu!

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  6. Sidney, sensacional!
    além das ótimas histórias, você escreve muito bem, parabéns mesmo.

    Recebi uma pergunta por e-mail que faço agora à você, esse é o único GT40 original que passou pelo Brasil, certo?

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  7. Senhor Sidney, meu nome é Nikollas, muito prazer! Eu namoro este vídeo há algum tempo e o que o Guilherme e o senhor têm nos reservado aqui é a dissecação de um sonho, para ficar no jargão do anfitrião. Nós, que não vivemos estes dias, seremos eternamente gratos por estas histórias. Muito obrigado! Abraço fraterno, Nikollas.

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  8. Guilherme
    Agradeço o elogio, me esforço pra fazer o melhor, creditarei seu elogio na conta de sua cortesia.

    Quanto à pergunta se esse foi o único original, não sei responder com segurança, sei que ele foi comprado direto da fábrica.

    Agora, há um amigo que conheci em um dos farnéis do Flávio Gomes, o "Vitão", que sabe quase tudo de GT 40, possui um livro em Inglês que fala sobre todos fabricados, enviarei um e-mail pra ele perguntando.

    Nikollas

    Por favor, Senhor está no céu, pode me trate de você que fico mais confortável.

    Fico feliz por poder te proporcionar uns instantes de prazer. Há um pensamento do Dr. Ivo Pitanguy que gosto muito: "Acredito que quando eu dou a alguém tenho a imensa satisfação em dar, do contrário não daria.
    Dar é um prazer em si mesmo. Tão grande que, às vezes, você tem uma satisfação até maior do que receber".

    Abraço fraterno.

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